A escrita é um processo de “sim”, tem uma voz, imagens e narrativas. Para os escritores, sobretudo se principiantes, talvez a maior dificuldade esteja em confiar no processo, largar, abrir asas, confiar que escrever não é um beco sem saída, pois o espírito/a intuição/a criatividade não tem limites. É o céu imenso onde brilha o sol (ou para outros, o astro lua), mesmo que escondido para além da nossa camada nebulosa de confusões, dúvidas, inseguranças e medos. Queremos confiar, mas também somos extremamente cautelosos, queremos abrir-nos para as mensagens da vida e acreditar que estão lá, todos os dias, no caminho de casa para o autocarro, cinco minutos para receber “inspiração divina”, mas desconfiamos, talvez hoje não, talvez hoje falhe, ou eu não veja, ou não haja nada para ver e isto seja mais uma daquelas histórias, mais uma ilusão. Sim, é verdade, é uma história, mas por isso mesmo pode assumir contornos inesperados. Pode ser mágico. Só temos de aceitar a imensa liberdade do espaço aberto à nossa frente, fresco e fecundo, abrir as asas e lançar-nos do alto. Confiar que o imenso espaço nos sustém e se abre a nós. É disso que é feito.