O mundo é mágico

O mundo é mágico

Ao sair do estúdio, pus os óculos mágicos e o mundo mudou. Estava sol e começou a cair uma chuva fininha que não durou muito. Pus o meu capuz e senti-me protegida e disfarçada. Passei por uma fada sentada num parque de estacionamento a desenhar e descobri os sapatos da Cinderela ao virar de uma esquina. Entrei no Travellers Cafe e preparei-me para uma viagem de sabores – um wrap de queijo feta e rúcula, um sumo de manga e banana – não digo que fosse a melhor das combinações, mas levou-me a sítios distantes e quentes. Quanto às batatas fritas, contudo, não havia magia que as salvasse. Mesmo assim recebi uma jóia – um dos três desejos que tinha visto nessa manhã. Um caminho abriu-se à minha frente e um bando de pássaros, silhuetas cinzentas no céu azul claro, passaram em voo rasante. Abriu-se um buraco no chão e descobri um subterrâneo que me transportou através de prados de flores brancas silvestres. Um símbolo roxo apontou-me o caminho para casa. O caminho de volta àqueles que amo.

Obrigada Deidre, pela foto e uma manhã de viagens e magia. E a magia está mesmo no nosso olhar.

Mundo de incertezas

Mundo de incertezas
Vivo num mundo que é só meu
Cheio de medos e incertezas
Por vezes sinto as pernas presas
Sinto que o medo me venceu
Vi um pássaro na rua
Tive receio de o seguir
A verdade nua e crua
Simples vontade de fugir
Com uma vida para viver
Perder tempo não é caminho
Será que me vou arrepender
De não seguir o passarinho?
Uma luz se fez então
O importante é caminhar
Ninguém te pode dar a mão
Quando recusas amar

Pedro Peixoto, Retiro do Losar, escrita livre a partir do poema Encontro, de Mark Neppo, 1 de Março 2014

por momentos

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Sigo por momentos o pássaro colorido que está à minha frente, maravilhando-me com as suas cores, a sua vivacidade, a sua alegria.

Parece que me quer transmitir alguma coisa especial…

Sorrio, olho para ele a rodopiar à minha volta e penso: este é um momento de pura beleza e de puro entendimento, de pura graça.

… e volto ao meu caminho, feliz.

Paula Laranjeira, Retiro de Losar, escrita livre a partir do poema Encontro, de Mark Neppo, 1 de Março 2014

Todos precisamos de beleza… nem que seja uma vez por semana

“Há sempre flores para quem as quer ver” Henri Matisse

Temos de alimentar o nosso artista interior, ou ele morre à fome e à sede. Temos de alimentá-lo com coisas belas e frágeis, percursos e inspirações, atenção e quietude.

Uma vez por semana sou recebida num espaço de criatividade para uma sessão de heArt Journaling. É a minha forma de me dar um tempo e um espaço para estar com “o meu artista interior”… e com ferramentas simples, com pouco mais que lápis de cor, objetos, papéis e cola, traço um percurso entre a memória e o sonho.  A minha guia chama-se Deidre Matthee, um ser resplandecente na paisagem por vezes cinzenta do Porto.

Hoje, um dos projetos foi traçar um mapa de intenções.

É bom pôr as coisas preto no branco… ou no verde, no amarelo, no lilás.

Para a quem quiser conhecer, vamos ter a Deidre no Centro Budista do Porto para um workshop sob o tema da mudança e das estações. Domingo dia 27 de Outubro.

Outras ideias? É bom alimentar o nosso artista. Nem que seja uma vez por semana.

Feliz possa caminhar

Feliz possa caminhar.
Feliz com abundantes nuvens negras possa caminhar.
Feliz com abundantes chuvas possa caminhar.
Feliz com abundantes plantas possa caminhar.
Feliz por uma senda de pólen possa caminhar.
Feliz possa caminhar.
Como aconteceu em dias distantes possa agora caminhar.
Que defronte de mim seja tudo belo.
Que atrás de mim seja tudo belo.
Que debaixo de mim seja tudo belo.
Que por cima de mim seja tudo belo.
Que derredor de mim seja tudo belo.

Poemas Ameríndios (poemas mudados para português por Herberto Helder)

Os índios sioux norte-americanos têm uma maneira bonita de se saudarem – mitakuye oyasin “todas as minhas relações” ou “estamos todos ligados”. Uma espécie de evocação de tudo o que nos une, a recordação de que tudo está ligado, todas as formas de vida, tudo, mesmo as plantas e os minerais.