O fantasma Óscar

Benfeita_080

O fantasma Óscar habitante do  “Júlio de Matos” veio hoje até cá. Ele é uma simpatia!… Aqui está-se tão bem!… Há festa continuamente, há festa sempre, sempre, balões, aviões também por causa do fogo, fogo, fogo, fogo-de-artifício! É a festa das aldeias! Nas aldeias o trigo faz o pão, o pão que o amigo do fantasma Óscar, o diabo amassou… O pão que o João comprou, o pão que a mãe amassou, o pão que a Margarida comeu, o pão, o pão, o pão, o chouriço, o chouriço, o chouriço com pão e vinho da festa, e os foguetes malucos, pois, penso que não gosto de foguetes, quando era menina não me lembro do brilho, não me lembro? Lembro-me do barulho ensurdecedor, só disso, e de tudo da festa, dos cavalos com o seu bater de patas no chão, no chão onde  os anjinhos desfilavam na procissão… e o fantasma Óscar lá ia a contemplar, a contemplar, a assobiar, e o homem que lia os versos na feira, a ler sempre a ler os versos, e as notícias que ele descrevia, pois, as notícias da região. Beringelas têm uma cor bonita mas abóboras tem uma sonoridade batucante e amarela de  a bó bo ras, também aqui o vento das árvores, o bater da porta e os sermões das senhoras e senhores têm algo de, não sei… mas talvez por isso Ele se tenha dado ao trabalho de vir até cá! Coitadinho! Não sei porquê mas hoje não há festa como esta e eu preciso mesmo é de descanso, não é de festa nem de agitação, confusão, ilusão é uma coisa que não me apetece.

Maria Gralheira, escrita livre, retiro de verão, Agosto 2013

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