Cheiros

stained_paper

Cheiros e respiração fluidos sem cessar passam por pressão no pescoço
sem querer acabar percorre todo o meu corpo
desacelera a mente e entorpece no medo de não saber
o que deixar cair neste papel
talvez seja uma forma de me dizer que está aqui uma mesa de madeira
e um pedaço de papel emprestado que não sei se chegará para libertar
tanta palavra atropelada nos corredores da minha mente
agora aqui desafiada por uma busca de presente que raramente nós vemos
por detrás das colunas desta realidade louca que nos atrofia os sentidos e
nos faz cair não sei onde, mas não é aqui
talvez possa vir a compreender para onde me levam as palavras
que neste momento me saem em torrente pelas mãos fora e se escapam
pela tinta desta caneta branca emprestada à última da hora pela minha amiga
que aqui sentada ao meu lado
parece fácil mas não é
porque o resultado pode ser comprometedor comigo mesmo ou consigo próprio
ah já me esquecia que tenho que reconhecer que é muito difícil escrever à mão
pois já não sei desenhar palavras legíveis porque as teclas dominam
a minha vida de transmissão escrita e a forma das letras antes desenhadas com estilo sai agora deformada e ilegível como se nunca tivesse aprendido a fazer
uma bonita caligrafia
mas não interessa o que aqui está mas apenas o que eu estava a fazer neste momento ao deixar-me soltar assim sem cessar e sem saber como isto vai acabar.
Fui

Carmo Marques “Escrita Criativa” – exercício de escrita livre, retiro de Verão – Casa da Torre 24-8-2013

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