o rapaz que sonhava que era rio

Vinha-lhe esta imagem de águas a passarem por entre seixos e grãos de areia e tudo o que dava passagem. Água de cheiro transparente, que corria, ou apenas se percorria, e conseguia mesmo ouvir o som da corrente e sentir o cantar das rochas. E deixava de sentir o corpo de rapaz, era a frescura da água, e sentia-se feliz, mas também era os seixos, pequenos e grandes, e sabia que era o rio. E quando se acostumava com a ideia de ser rio, viu o céu, imenso, com pontos de luz salpicados na escuridão. E o céu também tinha um movimento, e ao olhá-lo, perdia-se, não sabia se era o rio ou o céu. Não sabia o que estava a olhar e o que era olhado. E depois viu o céu refletido no rio e confundia-se com o rio. Estavam entranhados, embebidos um no outro. E já não sabia onde era rio e onde era céu.

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