storytelling

A number of years ago I sat down on a stone bench outside the Teatro Avenida in Maputo, Mozambique, where I work as an artistic consultant. It was a hot day, and we were taking a break from rehearsals so we fled outside, hoping that a cool breeze would drift past. The theater’s air-conditioning system had long since stopped functioning. It must have been over 100 degrees inside while we were working.

Two old African men were sitting on that bench, but there was room for me, too. In Africa people share more than just water in a brotherly or sisterly fashion. Even when it comes to shade, people are generous.

I heard the two men talking about a third old man who had recently died. One of them said, “I was visiting him at his home. He started to tell me an amazing story about something that had happened to him when he was young. But it was a long story. Night came, and we decided that I should come back the next day to hear the rest. But when I arrived, he was dead.”

The man fell silent. I decided not to leave that bench until I heard how the other man would respond to what he’d heard. I had an instinctive feeling that it would prove to be important.

Finally he, too, spoke.

“That’s not a good way to die — before you’ve told the end of your story.”

Henning Mankel, The Art of Listening

Há alguns anos atrás sentei-me num banco de pedra em frente ao Teatro Avenida em Maputo, Moçambique, onde trabalho como consultor artístico. Estava calor, e estávamos no intervalo dos ensaios portanto viemos cá para fora, na esperança de apanhar uma brisa fresca. O sistema de ar condicionado do teatro há já muito que não funcionava. Deviam estar uns  38 graus no interior.

Dois velhos africanos estavam sentados no banco, mas havia espaço para mim.  Em África as pessoas partilham mais do que água, de uma forma fraternal. Mesmo no que diz respeito à sombra, as pessoas são generosas.

Os dois velhotes falavam de um terceiro que tinha morrido recentemente. Um deles disse  “Fui a casa dele no outro dia. Começou a contar-me uma história incrível sobre algo que se passara com ele quando era novo. Mas a história era muito comprida. Ficou tarde e decidimos que eu voltaria no dia seguinte para ouvir o resto da história. Mas quando eu cheguei, ele tinha morrido.”

O outro ficou em silêncio. Decidi não sair do banco até ouvir como é que ele iria responder a isto. Instintivamente, achei que seria importante.

Finalmente, ele falou.

“Isso não é uma boa forma de morrer — antes de ter contado o final da história.”

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