De olhos fechados


Caí num imenso buraco, disseste, gusano intacto dentro do mezcal ardente, rompi as lianas e soltei as estrofes, dediquei a minha canção ao vapor e saí apressado da autoestrada, antes que a verticalidade me atraísse. Sempre a fundo, derrapei em espirais de fumo e de cor, viagem sem luz e sem medo ao centro de todo o perímetro. E vi-me. A caçar sozinho, entre folhas de agave e de afectos, piloto de outra fronteira, pioneiro de um novo sistema estrelar. Derrapagem translúcida, peguei-te na última sensação, viragem em torno de nós. E sorriste. De olhos fechados seguiste a meu lado e trocámos transpirações e deslizes. Senti-me vir ao de cima e por pouco não respirava. Desabafo. Colheste-me no último momento, a última gota, o último sentido. Não vivo sem ti.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s