O Mito do Herói e a Jornada do Escritor

Este slideshow necessita de JavaScript.

O livro de Joseph Campbell, “The Hero with a Thousand Faces” e as ideias veiculadas pelo seu autor, tiveram uma influência inegável na escrita de muitas histórias que fazem parte do nosso moderno mundo audio-visual. Ao estudar a mitologia de diversas tradições e civilizações, Joseph Campbell pôs em evidência um padrão comum a todas as histórias arquetípicas que usam um herói/heroína como personagem central de uma grande aventura. Eis as etapas da Jornada do Herói, que encontraremos em muitos contos, histórias e filmes, sendo talvez um caso paradigmático a saga da Guerra das Estrelas:

1. Em casa: o herói é apresentado no seu mundo “normal”

Este é um traço comum a muitas histórias e filmes. O contraste entre a vida vulgar do herói e o mundo e feitos fora do comum de que vai ser o protagonista, é criado primeiramente pela apresentação do mundo em que vive em toda a sua “ordinariedade”. O herói aparece inocente, ou desconfortável ou inconsciente. Tal como Luke Skywalker, que se aborrece de morte na quinta dos tios antes de se tornar um herói de dimensão intergalática.

2. O apelo da aventura

Ao herói é apresentado um problema, um desafio, uma aventura. Na Guerra das Estrelas, é a mensagem holográfica da princesa Leia, nas histórias de detetives, a apresentação de um caso, nas histórias românticas, o encontro com alguém especial, mas frequentemente irritante, com quem a/o protagonista se vai cruzar/bater ao longo da história.

3. A recusa: o herói relutante

Há frequentemente uma recusa, uma hesitação, por parte do herói ou de alguém próximo. O medo do desconhecido, a desconfiança em relação ao seu próprio valor ou coragem podem ser os obstáculos aqui. Frequentemente surge um acontecimento dramático que motiva o herói e deita por terra a relutância inicial. Luke recusa a proposta de Obi Wan mas ao voltar para casa, encontra os tios chacinados pelas tropas do Imperador. Não lhe restam então dúvidas..

4. Encontro com o mentor (o homem ou a mulher sábios)

O mentor em quem o herói confia poderá dar conselhos, mas por vezes também uma arma, um objeto mágico, etc. Obi Wan dá a Luke o sabre de luz do pai. Teseu recebe o fio de Ariadne. O mentor vai deixar o herói prosseguir a sua aventura. Em certos casos, surge em momentos-chave, para dar novo impulso à narrativa.

5. O herói passa o primeiro portal

O herói passa o limiar da porta do seu mundo habitual, física ou psicologicamente. A aventura começa e não há como voltar atrás. Entra na nave espacial, aceita um encontro com um desconhecido, aceita o caso da mulher desaparecida.

6. Desafios – os aliados e os inimigos.

Ao sair do seu universo habitual, o herói é confrontado com desafios. Ao tentar ultrapassá-los, faz aliados e inimigos. Os desafios fazem parte do seu treino. Neles mostra o seu valor ou a sua insegurança. Nos westerns, a cena do saloon. Em A Guerra das Estrelas, o episódio onde Luke encontra Han Solo.

7. O herói alcança a caverna mais negra ou profunda

O herói chega finalmente ao lugar mais perigoso, em que o objeto da procura está escondido. O herói vai ao inferno buscar o seu amado/a, entra numa gruta para lutar contra o dragão e ganhar um tesouro ou a mão da donzela ou enfrenta o Minotauro. Pode ser ainda o confronto psicológico com os medos mais profundos ou outra questão interior.

8. O herói enfrenta o supremo desafio

Frequentemente o supremo desafio é a própria morte. É o momento em que o herói chega completamente ao fundo, e duvidamos se ele vai conseguir salvar-se. O momento em que o herói fica tanto tempo debaixo de água que duvidamos que venha à superfície, o momento em que E.T parece ter morrido na operação. É um momento crítico, de morte e ressurreição e um elemento chave em qualquer mito. A audiência identifica-se com o herói e ressuscita, revitaliza-se com o retorno do mundo dos mortos.

É o clímax de todos os ritos de passagem em que os iniciados sofrem uma morte temporária para renascerem com mais vitalidade. Nunca nos sentimos tão vivos como quando pensamos que vamos morrer.

9. O herói obtém a recompensa

Depois de ter derrotado o dragão, o minotauro, depois de ter sobrevivido à própria morte, o herói toma posse daquilo que veio buscar. A espada, o Graal, o elixir, a donzela, a coragem, a dignidade, a paz.

Quando a recompensa é o amor personificado por uma mulher (ou homem no caso de uma heroína), esta/e transforma-se, refletindo uma nova compreensão do sexo oposto por parte do herói no final da aventura.

10. O caminho de regresso

O herói ainda não saiu da floresta. As forças antagonistas ainda podem vir atrás dele para um último sobressalto ou ataque. Os deuses a quem roubou a jóia fazem explodir a caverna e é uma última fuga para a salvação. .

11. Ressurreição

O herói emerge do universo paralelo/ mundo especial transformado pela sua experiência. É uma repetição da cena morte/ sobrevivência da etapa 8. Uma batalha final na Guerra das Estrelas, a última corrida para ultrapassar o abismo que separa definitivamente o herói do seu opositor.

12. O regresso com o elixir

O herói volta à sua vida normal ou continua a jornada, com o elixir, o amor, a coragem, a lição que aprendeu. Transforma o mundo à sua volta com esse elixir, essa coragem, esse amor, essa experiência. Ou tem apenas uma boa história para contar.

(adaptação de um trabalho de Christopher Vogler)

Pintura de Jia Lu

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s