No curso de escrita criativa aprendi que

as aspirinas têm sentimentos e êxtases

a partir de listas, as cores desenham ruídos

podemos cruzar coisas que gostamos com coisas que não gostamos e construir textos que dizem coisas que não sabíamos ou que estávamos fartos de saber

não é preciso muito tempo para escrever um texto

é preciso muito tempo para escrever um texto

nunca sabemos o que está por detrás de uma porta

os objectos podem ser pessoas e as pessoas podem ser objectos

podemos somar e subtrair frases que serviram para definir outras coisas e construir ainda mais coisas (fazendo figas para que não seja um monstro)

pode-se dar pedras nos pontapés

pode-se ser medido de alto a baixo por um bando de giselas (e é uma sensação terrível)

pode-se convidar uma palavra para jantar… ou uma personagem

a escrita é perigosa – podemos encontrar-nos num quarto de hotel com uma arma na mão e um cadáver na cama

a escrita é senhora de si própria (uma tecedeira a manusear dextramente fios quentes no sussurro da imensidão dos rebentos – Margarida)

a escrita é um clube de encontros (“a escrita é onde eu reúno, onde todas as interrupções estão presentes” – Pedro Sena-Lino)

a escrita é um aterro (“na escrita nada se deita fora” – Pedro Sena-Lino)

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