Balanço

Hoje dei-me conta que comecei a escrever as páginas matinais há quase 5 semanas. Parece-me que posso fazer um pequeno balanço. Escrever as três páginas na verdade tem sido o mais simples de tudo e não posso deixar de aconselhar esta prática a toda a gente. Ultimamente têm ficado um pouco confessionais, como um diário, mas não é bem essa a ideia, embora, uns dias mais outros menos, pode surgir também essa vertente; comecei por usá-las para iniciar um processo de libertação de escrita, e achei que funcionava muito bem. Tem algo a ver com a prática de meditação e sobretudo com o método usado nos grupos de partilha. É uma prática de ouvir, de escutar as nossas várias vozes, de escutar vozes que nem sabíamos que possuíamos, de nos libertarmos; mesmo que o que saia sejam só lamúrias, e o quanto sofremos e o quanto fomos magoados, e bla bla bla que-nem-nós-teríamos-paciência-para-ler-novamente, pelo menos ficamos mais livres durante o resto do dia. Mas da mesma forma que nos círculos de partilha, tem algo de estar perto do abismo e de nos desnudarmos; mas aqui estamos sós com a página, talvez seja mais fácil… ou não. Li alguns artigos de pessoas que disseram que as páginas matinais as ajudaram a fazer um sem número de coisas e a transformar a própria vida. Sem negar que realmente isso pode acontecer, para mim tem sido a energia/ideia/resolução que deu origem a procurar métodos de desenvolver este ser criativo que trago comigo e que nunca deixei que crescesse, foi essa resolução que me levou, basicamente, a querer mudar de hábitos – o que incluiu procurar ferramentas. Não é fácil mudar de hábitos. Temos de nos tratar bem e dar passos pequeninos. Mas dá-los.

Tenho também lido sobre “métodos” e os americanos podem ser muito práticos (à falta de melhor palavra) e há sempre aqueles conselhos, 10 dicas para isto, 20 para aquilo, e uma parte de nós começa a dizer ei ei, espera lá, aguenta aí que eu já volto.

Mas resumindo, o que é que mudou, nestas 5 semanas?

1. Ando com um caderno e canetas atrás de mim. Nada de muito intenso, mas dá para pequenos poemas, frases e sketchs.

2. Ando também frequentemente com o meu novo brinquedo, um netbook. A prática de escrever pode tornar-se viciante.

3. Comecei um blog sob o tema da criatividade e o dar conta da minha jornada nesse reino. Este blog.

4. Embora tenha vivido esta etapa como um momento de avaliação e de rutura em relação a tudo o que está para trás, também percebi que não se trata de fazer tabula rasa, mas cada vez mais, incorporar, integrar, embora tenha necessidade de estabelecer prioridades. Senti-me compelida a retomar o blog Arte & Zen que estava abandonado há que tempos. Tanto como método como estética, o Zen é uma fonte.

5. Ando a experimentar pequenas coisas nas técnicas artesanais. Fazer os pequenos Jizos foi uma revelação – não pela qualidade do objeto em si, que é rústico, mas pelo simples facto de ter surgido. De sítio nenhum… supostamente. A alegria vem de pequenas coisas.

6. Em vários sítios aconselham a manter um diário. Embora o lado confessional dos diários possa ser uma boa seca, tenho experimentado o penzu.com, é um sítio onde podemos manter um diário privado. Claro que não tenho grande paciência para escrever páginas e páginas, mas pelo menos a ocasional poesia ou pequeno texto. Com fotografia🙂

7. Ainda sobre os conselhos que tenho andado a investigar, a conclusão lógica é que o que pode funcionar com alguns pode não funcionar com outros.  E tenho de encontrar os meus próprios métodos e ritmo. Mantenho os encontros semanais para alimentar a minha sede de cores e coisas bonitas – é uma fome como de pão com manteiga. Não é preciso mesmo nada de especial – um passeio, a praia, uma exposição… o fundamental é fazê-lo por si mesmo e para si mesmo. Não levar a melhor amiga, o namorado. É um encontro com o seu próprio artista.

8. Nos momentos de introspecção e ao fazer alguns dos “jogos” do Artist Way, percebi rapidamente que nada nem ninguém nunca me impediu de fazer seja o que for. Claro, houve alguns monstros… mas basicamente, eu, só eu, toda eu, e os meus pensamentos, complexos e ideias sobre o que é essencial e mais importante, sobre a arte, os artistas, a escrita, os escritores.. e eventualmente uma grande força da inércia me impediram de pôr as mãos na massa. (Ah, identificar quais as crenças ou ideias feitas que temos e nos impedem de avançar, é muito importante… geralmente são só ideias!)

9. Escrever é um acto solitário… mas também aqui precisamos dos outros para avançar mais rápido. Na meditação, muitas vezes referíamos a energia do grupo. Sozinhos não ficaríamos sentados… não por muito tempo. Inscrevi-me portanto num curso de escrita criativa para apoiar  todo este processo. Não só pela necessidade de actualizar-me, de ter mais ferramentas, mas também pela perspectiva de trabalhar com a ajuda de um grupo.

10. Incluir um ponto 10 era perfeito, não era? mas o mundo não é perfeito.

6 thoughts on “Balanço

      1. Olá, cheguei aqui ao pesquisar sobre escrita criativa, que é matéria do texto que fiz, com resenhas de dois livros e considerações confessionais á respeito. Ficou longo demais o texto,mas se você tiver um tempinho de uma olhadela por lá. Gostei de acompanhar este seu relato. Experiências desta natureza me são caras também. Voltarei mais vezes

        http://www.recantodasletras.com.br/contos/4603977

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s