conselho a escritores
10 Novque te seguiram desde o bosque.
(Billy Collins – trad. de José Luís Peixoto)
Atualizar a vida
29 MarHá pouco mais de uma semana que não escrevo neste blog e mal escrevo, ponto final. Por vezes não sabemos dizer não e à força de dizer sim, tenho trabalhado demasiado – a minha cabeça ou coração não sabe dizer não, mas o meu corpo sabe, e fez as escolhas que eu não estava a conseguir fazer. Esta manhã fico em casa muito quietinha e a descansar – com muitas ideias para projetos e a tentar sumarizar o que tenho aprendido ultimamente. De há umas semanas para cá quase toda a minha informação chega através do Twitter. Tudo o que fiz foi seguir novas pessoas e des-seguir outras, e puf, o mundo mudou! Ou pelo menos ficou mais em conformidade com o que procuro atualmente. Até agora pensava que o kindle era apenas aquele écran-biblioteca-de-leitura-que-não-estava-a-pensar-adquirir-tão-cedo, e hoje percebi que afinal há versões da aplicação para PC (ou iPad, ou etc.) que nos permitem o rápido acesso a livros… que de outra forma levam dias a cá chegar; claro que não acho que o kindle possa substituir os livros de papel, mas por outro lado já não tenho a resistência aos e-books que tinha há uns tempos atrás – tudo depende do tipo de informação e da experiência que procuramos. Assim, acabei de fazer o download da versão Kindle para PC e de comprar The War of Art – que em dois segundos estava no meu netbook. Já alguma vez disse que para mim a experiência da tela era como uma guerra? então este livro é mesmo para mim:) Aproveitei para fazer a reserva do próximo livro do mesmo autor, Do the Work, que é gratuito.
Mas, principalmente, parece-me que o mundo da edição está cada vez mais excitante. Até agora, e através da forma de publicação tradicional, um autor tinha uma percentagem muito reduzida dos direitos do livro. Tudo vai para a editora, os distribuidores e as livrarias. Mas a e-edição abre muitas perspetivas, tanto para o autor como para o leitor. E para o autor, embora em certos casos as editoras continuem a querer manter uma enorme percentagem para elas, mesmo na e-edição, há já outras possibilidades. Não dá que pensar?
Does Ev Bogue has a cell phone?
16 MarUm casal passa com a criança pela mão. Aliás, a mulher leva os sacos e a criança pela mão. Ele leva as chaves do carro numa mão e o telemóvel na outra. É ela que conduz. Será que o Ev Bogue tem telemóvel? Por momentos perco-me na observação do casal e o carro parte conduzido pela mulher. Tenho muito trabalho de computador para fazer hoje. Não sei o que é melhor – lidar com controladores compulsivos ou relaxados crónicos. O que é o equilíbrio? Falamos sempre de equilíbrio e que o importante é encontrar o equilíbrio. Corpo-mente, casa-profissão. E se se isso não existisse? Onde está o equilíbrio? Como se pode quantificar, medir, contar? E se o equilíbrio é exatamente o que estamos a viver, mesmo que pareça muito “desequilibrado”, aos nossos olhos e aos olhos dos outros? O equilíbrio não será mais uma daquelas coisas utópicas com que gostamos ciclicamente de nos flagelar, como a busca da perfeição?
Julia Cameron fala das páginas matinais por vezes de uma forma “new age” (pronto, já sabemos que Artist Way é um livro datado), e usa-as por vezes como uma espécie de oráculo, ou dito de uma forma que nos agrada mais, usa-as para ir mais profundamente em nós mesmos. Páginas minhas, páginas minhas, és o barco, és o rio, és o barqueiro passador de almas? Onde está esse país de intermeio, o entre das coisas, a passagem por onde tudo pode fluir ou fugir? Ponto de equilíbrio ou de total desequilíbrio? És corda ou és poço? Percorro-te a pulso, a caminho da esperança ou afundo-me cada vez mais nas tuas águas?
Não uso as páginas como oráculo, mas recentemente voltei a interessar-me pelo I Ching, online. Coloco a minha questão em Free I Ching Reading e além da interpretação do site leio os posts relacionados com o hexagrama de The Quoteable I Ching. E depois gravo o que achar interessante no Penzu. Parece complicado, mas a ideia era começar a usar o I Ching como comtemplação – “tirar” um hexagrama para o dia e usá-lo como meditação diária. Posteriormente veria se faz sentido.
Tenho andado também a brincar com a ideia de libertação, de dar espaço para o novo, tal como sugere Ev Bogue. O nosso eu “upgraded” só pode surgir depois de se fazer espaço, apagando os ficheiros mortos. “Apagar os ficheiros” aconteceu-me naturalmente, ao comprar o netbook não fiz o que é costume, e não passei os ficheiros do antigo computador. Eventualmente há outros ficheiros para apagar… espero lá chegar. Esta ideia leva-me também ao conceito de renascimento – uma forma bastante drástica de apagar ficheiros
– e nem consigo explicar o quanto a ideia de regressões me parece estranha. Cada vez mais tenho a percepção de novas possibilidades. Este eu renovado (upgraded) parece vir também para muitos mais minimalista. A euforia consumista (o mais) está a dar lugar à simplicidade (o menos). E mais uma vez, haverá um equilíbrio?
Imagem: Alcácer do Sal, arquiteto Aires Mateus, foto Fernando Guerra.




