A decisão
28 MarCaligrafias transparentes em vidros embaciados, pensamentos redondos, espirais de dúvidas. O tempo escoa-se pela chávena de chá num cubo de açúcar. Observas. O caderno de argolas engole as frases que tinhas preparado. O silêncio esconde-se em cada quadrícula.
A paisagem da janela tem um olhar guloso. Sede de areias suculentas. Fome de praias eternas. Prazer de bússolas sem norte. Mas esperas. O que fazer? Seguir o rasto ou seguir a vela. Navegar através das cadeiras desalinhadas ou soltar as amarras.
Suspiras. Na verdade é simples. Sim, sempre o soubeste. Algures, há o espaço luminoso onde se encontram todos os caminhos.
Foto “Looking Outside the Window”: Bambang Indrayoto
Sessão do Clube de Escrita
23 NovCEC sessão 3: escrever com todos os sentidos (pele, língua, ouvidos, olhos, nariz… )
1. Exercício de aquecimento:
listar 10 substantivos
listar 10 adjetivos
pensar numa profissão e listar 10 verbos relacionados com essa profissão
- unir um substantivo a um adjetivo e a um verbo, a partir daí redigir uma frase
- repetir o processo para a construção de 5 frases
2. Exercício de escrita “sensorial”.
Escolher uma das 5 frases. A partir daí, redigir um texto o mais livremente possível, tentando contudo exprimir um universo plurissensorial (por vezes temos tendência a só utilizar a visão)
TPC Continuar uma das frases seguintes:
Eu sou a asa do corvo que partiu e nunca voltou
Por favor não esprema o…
Aprendi a fazer fogo….
Um dos desenhos feitos a canivete na porta do urinol….
Finalizações
26 JulEstou a terminar calmamente o meu primeiro projeto de livro de poemas. Coincidindo mais ou menos com este blog, iniciei uma etapa de me conhecer através da escrita, de conhecer a minha voz. Como todos os caminhos, é feito pelo próprio caminhar, neste caso pela própria escrita, e que saiba, não acabou. O mais importante, talvez, é tê-lo feito, ter avançado através de dúvidas, reticências e muitos espaços brancos (e negros).
No curso de escrita criativa aprendi que
9 Junas aspirinas têm sentimentos e êxtases
a partir de listas, as cores desenham ruídos
podemos cruzar coisas que gostamos com coisas que não gostamos e construir textos que dizem coisas que não sabíamos ou que estávamos fartos de saber
não é preciso muito tempo para escrever um texto
é preciso muito tempo para escrever um texto
nunca sabemos o que está por detrás de uma porta
os objectos podem ser pessoas e as pessoas podem ser objectos
podemos somar e subtrair frases que serviram para definir outras coisas e construir ainda mais coisas (fazendo figas para que não seja um monstro)
pode-se dar pedras nos pontapés
pode-se ser medido de alto a baixo por um bando de giselas (e é uma sensação terrível)
pode-se convidar uma palavra para jantar… ou uma personagem
a escrita é perigosa – podemos encontrar-nos num quarto de hotel com uma arma na mão e um cadáver na cama
a escrita é senhora de si própria (uma tecedeira a manusear dextramente fios quentes no sussurro da imensidão dos rebentos – Margarida)
a escrita é um clube de encontros (“a escrita é onde eu reúno, onde todas as interrupções estão presentes” – Pedro Sena-Lino)
a escrita é um aterro (“na escrita nada se deita fora” – Pedro Sena-Lino)







