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A arte é magia

28 Fev


Poderoso! ver de 26:40 a 32:40 (pelo menos). Obrigado Gustavo Gitti. Ver ainda de 36:08 a 39:04 e de 45:25 a 50:47 /ou ver tudo!

Pode a arte mudar o mundo?

16 Fev

O Mito do Herói e a Jornada do Escritor

29 Nov

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O livro de Joseph Campbell, “The Hero with a Thousand Faces” e as ideias veiculadas pelo seu autor, tiveram uma influência inegável na escrita de muitas histórias que fazem parte do nosso moderno mundo audio-visual. Ao estudar a mitologia de diversas tradições e civilizações, Joseph Campbell pôs em evidência um padrão comum a todas as histórias arquetípicas que usam um herói/heroína como personagem central de uma grande aventura. Eis as etapas da Jornada do Herói, que encontraremos em muitos contos, histórias e filmes, sendo talvez um caso paradigmático a saga da Guerra das Estrelas:

1. Em casa: o herói é apresentado no seu mundo “normal”

Este é um traço comum a muitas histórias e filmes. O contraste entre a vida vulgar do herói e o mundo e feitos fora do comum de que vai ser o protagonista, é criado primeiramente pela apresentação do mundo em que vive em toda a sua “ordinariedade”. O herói aparece inocente, ou desconfortável ou inconsciente. Tal como Luke Skywalker, que se aborrece de morte na quinta dos tios antes de se tornar um herói de dimensão intergalática.

2. O apelo da aventura

Ao herói é apresentado um problema, um desafio, uma aventura. Na Guerra das Estrelas, é a mensagem holográfica da princesa Leia, nas histórias de detetives, a apresentação de um caso, nas histórias românticas, o encontro com alguém especial, mas frequentemente irritante, com quem a/o protagonista se vai cruzar/bater ao longo da história.

3. A recusa: o herói relutante

Há frequentemente uma recusa, uma hesitação, por parte do herói ou de alguém próximo. O medo do desconhecido, a desconfiança em relação ao seu próprio valor ou coragem podem ser os obstáculos aqui. Frequentemente surge um acontecimento dramático que motiva o herói e deita por terra a relutância inicial. Luke recusa a proposta de Obi Wan mas ao voltar para casa, encontra os tios chacinados pelas tropas do Imperador. Não lhe restam então dúvidas..

4. Encontro com o mentor (o homem ou a mulher sábios)

O mentor em quem o herói confia poderá dar conselhos, mas por vezes também uma arma, um objeto mágico, etc. Obi Wan dá a Luke o sabre de luz do pai. Teseu recebe o fio de Ariadne. O mentor vai deixar o herói prosseguir a sua aventura. Em certos casos, surge em momentos-chave, para dar novo impulso à narrativa.

5. O herói passa o primeiro portal

O herói passa o limiar da porta do seu mundo habitual, física ou psicologicamente. A aventura começa e não há como voltar atrás. Entra na nave espacial, aceita um encontro com um desconhecido, aceita o caso da mulher desaparecida.

6. Desafios – os aliados e os inimigos.

Ao sair do seu universo habitual, o herói é confrontado com desafios. Ao tentar ultrapassá-los, faz aliados e inimigos. Os desafios fazem parte do seu treino. Neles mostra o seu valor ou a sua insegurança. Nos westerns, a cena do saloon. Em A Guerra das Estrelas, o episódio onde Luke encontra Han Solo.

7. O herói alcança a caverna mais negra ou profunda

O herói chega finalmente ao lugar mais perigoso, em que o objeto da procura está escondido. O herói vai ao inferno buscar o seu amado/a, entra numa gruta para lutar contra o dragão e ganhar um tesouro ou a mão da donzela ou enfrenta o Minotauro. Pode ser ainda o confronto psicológico com os medos mais profundos ou outra questão interior.

8. O herói enfrenta o supremo desafio

Frequentemente o supremo desafio é a própria morte. É o momento em que o herói chega completamente ao fundo, e duvidamos se ele vai conseguir salvar-se. O momento em que o herói fica tanto tempo debaixo de água que duvidamos que venha à superfície, o momento em que E.T parece ter morrido na operação. É um momento crítico, de morte e ressurreição e um elemento chave em qualquer mito. A audiência identifica-se com o herói e ressuscita, revitaliza-se com o retorno do mundo dos mortos.

É o clímax de todos os ritos de passagem em que os iniciados sofrem uma morte temporária para renascerem com mais vitalidade. Nunca nos sentimos tão vivos como quando pensamos que vamos morrer.

9. O herói obtém a recompensa

Depois de ter derrotado o dragão, o minotauro, depois de ter sobrevivido à própria morte, o herói toma posse daquilo que veio buscar. A espada, o Graal, o elixir, a donzela, a coragem, a dignidade, a paz.

Quando a recompensa é o amor personificado por uma mulher (ou homem no caso de uma heroína), esta/e transforma-se, refletindo uma nova compreensão do sexo oposto por parte do herói no final da aventura.

10. O caminho de regresso

O herói ainda não saiu da floresta. As forças antagonistas ainda podem vir atrás dele para um último sobressalto ou ataque. Os deuses a quem roubou a jóia fazem explodir a caverna e é uma última fuga para a salvação. .

11. Ressurreição

O herói emerge do universo paralelo/ mundo especial transformado pela sua experiência. É uma repetição da cena morte/ sobrevivência da etapa 8. Uma batalha final na Guerra das Estrelas, a última corrida para ultrapassar o abismo que separa definitivamente o herói do seu opositor.

12. O regresso com o elixir

O herói volta à sua vida normal ou continua a jornada, com o elixir, o amor, a coragem, a lição que aprendeu. Transforma o mundo à sua volta com esse elixir, essa coragem, esse amor, essa experiência. Ou tem apenas uma boa história para contar.

(adaptação de um trabalho de Christopher Vogler)

Pintura de Jia Lu

saudades de Al Berto

19 Nov

Al Berto

deus tem que ser substituído rapidamente por poemas, sílabas sibilantes, lâmpadas acesas, corpos palpáveis, vivos e limpos

o artista

21 Set


a primeira vez que te vi, que olhei o teu rasto na tela, comovi-me

não ia à espera de me comover

ia só ver uma exposição em Serralves num domingo de manhã

mas vi-te lá

e chorei por dentro

disseram-me que eras intratável

e que deixaste uma casa cheia de quadros que ainda estão a apodrecer

mas só recordo o toque

das tuas mãos no meu mundo

 

Pintura: 1946-H, Clifford Still

Era um Redondo Vocábulo

25 Abr

Era um redondo vocábulo
Uma soma agreste
Revelavam-se ondas
Em maninhos dedos
Polpas seus cabelos
Resíduos de lar,
Pelos degraus de Laura
A tinta caía
No móvel vazio,
Congregando farpas
Chamando o telefone
Matando baratas
A fúria crescia
Clamando vingança,
Nos degraus de Laura
No quarto das danças
Na rua os meninos
Brincando e Laura
Na sala de espera
Inda o ar educa

José Afonso, prisão de Caxias

Domingo no museu

20 Fev

Participei numa visita guiada à exposição de Artur Loureiro hoje no Museu Soares dos Reis. Ia à procura de luz, cor, texturas e sonho (não, nada tipo Museu de Serralves, hoje) e encontrei o que queria. Artur Loureiro é um pintor naturalista rendido ao simbolismo. Tem a particularidade de ter casado com uma australiana e ter vivido na Austrália durante 20 anos, ligado a uma família cosmopolita. Da Austrália trouxe uma paleta de cores que se integra muito bem na paisagem nortenha: Moledo, Caminha, Porto, Gerês, etc. Ao voltar para o Porto estabeleceu um atelier-escola no Palácio de Cristal e encontramos o ambiente romântico dos jardins do Palácio nas suas telas. Pena que no museu não temos acesso a nenhuma imagem, guia, livro sobre a sua obra (nem um postalito) e para além disso é proibido tirar fotografias. Queria rever as obras que vieram da Austrália (e umas que não vieram) e encontrei algumas no site da National Gallery of Victoria, Melbourne. Aí, ele é logicamente, Arthur :)