E por vezes somos tocados. A perceção de uma outra construção, uma linha por detrás das linhas que já conhecemos, um ambiente para além dos traços delineados, uma história que parecemos reconhecer. Ou esperar. Ou sonhar. Não, não um déjà vu, mais uma outra dimensão. Uma nova arquitetura, um outro enredo. Conversas telepáticas entre dois chás e um tilintar de colheres. Movimentos no espaço, dizer o teu nome como uma dança em linguagem gestual de borboletas. Uma história antiga que ambos conhecemos e não contamos. Não temos de fazer nada, não temos de começar nada. Um dia, sim, há muito tempo, esperámo-nos com o anseio dos namorados, tocámo-nos com a intimidade dos amantes, confiámo-nos como só os homens e as mulheres se podem confiar, para além da pele, há muito tempo. Ou num universo paralelo.
Imagem: Mattijn


