Arquivo | Fevereiro, 2012

A arte é magia

28 Fev


Poderoso! ver de 26:40 a 32:40 (pelo menos). Obrigado Gustavo Gitti. Ver ainda de 36:08 a 39:04 e de 45:25 a 50:47 /ou ver tudo!

A menina do mar

27 Fev

Uma proposta de um grupo no Facebook fez-me  recordar a Menina do Mar da Sophia de Mello Breyner Andresen. A Menina do Mar e a Sophia transportam-me para as aulas de Português com uma das melhores professoras que já tive. A professora Clara Rebelo.  Determinante na minha relação com a escrita e a leitura. A minha iniciação à poesia e ao maravilhoso.

Sei ainda de cor um dos poemas da Sophia que estudámos na aula:

No fundo do mar há brancos pavores,
Onde as plantas são animais
E os animais são flores.

Mundo silencioso que não atinge
A agitação das ondas.
Abrem-se rindo conchas redondas,
Baloiça o cavalo-marinho.
Um polvo avança
No desalinho
Dos seus mil braços,
Uma flor dança,
Sem ruído vibram os espaços.

Sobre a areia o tempo poisa
Leve como um lenço.

Mas por mais bela que seja cada coisa
Tem um monstro em si suspenso.

Universo paralelo

17 Fev

E por vezes somos tocados. A perceção de uma outra construção, uma linha por detrás das linhas que já conhecemos, um ambiente para além dos traços delineados, uma história que parecemos reconhecer. Ou esperar. Ou sonhar. Não, não um déjà vu, mais uma outra dimensão. Uma nova arquitetura, um outro enredo. Conversas telepáticas entre dois chás e um tilintar de colheres. Movimentos no espaço, dizer o teu nome como uma dança em linguagem gestual de borboletas. Uma história antiga que ambos conhecemos e não contamos. Não temos de fazer nada, não temos de começar nada. Um dia, sim, há muito tempo, esperámo-nos com o anseio dos namorados, tocámo-nos com a intimidade dos amantes, confiámo-nos como só os homens e as mulheres se podem confiar, para além da pele, há muito tempo. Ou num universo paralelo.

 

Imagem: Mattijn

Pode a arte mudar o mundo?

16 Fev

Escrever no café

15 Fev

Durante algum tempo escrevi as minhas páginas matinais logo ao levantar, é uma questão de organização: com a prática da escrita, precisamos apenas de 20 minutos para umas 3 páginas. Mas, se bem que a escrita goste da tranquilidade, pode ser bom mudar a rotina, escrever no café onde tomamos o pequeno almoço, na esplanada onde vamos tomar café ou olhar as ondas. Sobretudo se nos sentimos encalhados. Os textos livres são frequentemente uma escrita de intereseções, pois somos muitas vezes interrompidos. Mas “a escrita é onde eu reúno, onde todas as interrupções estão presentes”. A escrita é inclusiva.

 

Começar sem saber, atirar-se e mergulhar sem saber, onde nascem fontes rebeldes e passeiam cavalos encantados em rotundas flamejantes, não ter a constância, as conversas sobre futebol e a situação, a miséria dos pobres, não saber, mergulhar sem saber, a porta que desliza e se abre, bom-dia, a frescura matinal da rua que entra cheia de promessas, outro dia, sem saber, um outro enredo, uma festa de Carnaval e os olhares que se cruzam na manteiga desse pão e no restolhar da máquina de café quando se aquece o leite até ferver, mergulhar novamente, obrigadíssima, trocam-se as palavras com o esvoaçar das folhas do jornal, o sobrinho direto do Ferreira Neves e a impaciência de querer outra coisa, de calar a mulher, de querer o silêncio e apenas o toque das colheres na chávena, mas não dura, nada dura, a conversa acaba, há sempre outra coisa, uma passagem, uma pausa, o silêncio da buzina do carro e esse burburinho apaziguante da cidade depois das 9. Há sempre uma pausa antes de outra coisa, antes do próximo autocarro, o próximo cliente, o próximo até-amanhã, o próximo sonho e as pétalas da flor em tecido com o botão a condizer.

 

Greentea, hoje

Fotografia: café Mud Dock, Bristol

Duas perguntas

14 Fev

O que fazes?
O que gostarias de estar a fazer?

Liberte uma palavra

13 Fev

Sem palavras não há liberdade -  Amnistia Internacional quer libertar 155.000 palavras e promover a liberdade de expressão no Médio Oriente e Norte de África.

No dia 11 de fevereiro assinala-se o Dia de Ação Global sobre as manifestações no Médio Oriente e Norte de África. Neste dia, tal como aconteceu há mais de um ano, queremos dar voz a estes manifestantes e amplificar a sua mensagem através das redes sociais.

Neste contexto, a Amnistia Internacional Portugal criou o projeto Freedom Dictionary, que irá libertar palavras que estão presas pela censura. O projecto consiste na criação de um dicionário, composto por 155.000 palavras que serão libertadas pelas pessoas através da internet. Para participar no projeto, basta entrar no site www.freedomdictionary.org, escolher uma palavra para libertar e partilhar nas redes sociais. Cada pessoa poderá libertar apenas uma palavra e esta ficará associada ao seu nome, dando os merecidos créditos ao “redentor”.

No dia 3 de maio, o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, o projecto chega ao fim. Serão impressas 11 cópias do dicionário e enviadas para 11 países onde as revoluções ainda estão a decorrer (Arábia Saudita, Argélia, Bahrein, Egito, Iémen, Irão, Iraque, Líbia, Marrocos, Síria e Tunísia). No dicionário impresso, as pessoas poderão também saber quem libertou cada palavra. As palavras que não forem libertadas, não constarão no dicionário final e no seu lugar ficará um espaço em branco.

www.amnistiainternacional