Arquivo | Março, 2011

Ligação

31 Mar

 

Criação de Dosankodebbie’s etegami notebook

Objetos, personagens e mais listas

31 Mar

Exercício: escolher três objetos de uma lista de cinco. Descrevê-los enquanto pertencentes a uma personagem.

Ex: Sete cadernos pretos A5, receita de coq au vin, três contas

Os objetos

As nossas capas estão gastas, rasgadas, e já deixaram de ser negras. Somos sete. Sete anos de viagens, sete anos de caminhos e procuras. Se pudéssemos falar, falaríamos dos ventos e dos desertos, das paragens e das encruzilhadas. Falaríamos do calor e da chuva, de todos os pedaços quebrados, de desenhos e rascunhos, de noites não dormidas, de risos de amigos com manchas do vinho tinto da receita desbotada, escrita em letra miudinha, do coq au vin da avó. Falaríamos da espera, de histórias sepultadas na areia, das contas por pagar, exatamente três, deixadas em cima da mesa da cozinha. Falaríamos das tarde passadas no café Lua a rabiscar turbantes e outros seres do deserto. Falaríamos dos sonhos adiados.

Desafio: retratar agora a personagem, a partir da descrição dos objetos.

Atualizar a vida

29 Mar

Há pouco mais de uma semana que não escrevo neste blog e mal escrevo, ponto final. Por vezes não sabemos dizer não e à força de dizer sim, tenho trabalhado demasiado – a minha cabeça ou coração não sabe dizer não, mas o meu corpo sabe, e fez as escolhas que eu não estava a conseguir fazer. Esta manhã fico em casa muito quietinha e a descansar – com muitas ideias para projetos e a tentar sumarizar o que tenho aprendido ultimamente. De há umas semanas para cá quase toda a minha informação chega através do Twitter. Tudo o que fiz foi seguir novas pessoas e des-seguir outras, e puf, o mundo mudou! Ou pelo menos ficou mais em conformidade com o que procuro atualmente. Até agora pensava que o kindle era apenas aquele écran-biblioteca-de-leitura-que-não-estava-a-pensar-adquirir-tão-cedo, e hoje percebi que afinal há versões da aplicação para PC (ou iPad, ou etc.) que nos permitem o rápido acesso a livros…  que de outra forma levam dias a cá chegar; claro que não acho que o kindle possa substituir os livros de papel, mas por outro lado já não tenho a resistência aos e-books que tinha há uns tempos atrás – tudo depende do tipo de informação e da experiência que procuramos. Assim, acabei de fazer o download da versão Kindle para PC e de comprar The War of Art – que em dois segundos estava no meu netbook. Já alguma vez disse que para mim a experiência da tela era como uma guerra? então este livro é mesmo para mim:) Aproveitei para fazer a reserva do próximo livro do mesmo autor, Do the Work, que é gratuito.

Mas, principalmente, parece-me que o mundo da edição está cada vez mais excitante. Até agora, e através da forma de publicação tradicional, um autor tinha uma percentagem muito reduzida dos direitos do livro. Tudo vai para a editora, os distribuidores e as livrarias. Mas a e-edição abre muitas perspetivas, tanto para o autor como para o leitor. E para o autor, embora em certos casos as editoras continuem a querer manter uma enorme percentagem para elas, mesmo na e-edição, há já outras possibilidades. Não dá que pensar?

Publica o teu e-book

21 Mar

Um artigo de um autor brasileiro sobre como publicar um e-book através da amazon – desde o ano passado a amazon abriu o kindle aos livros em português.

Seres de outro planeta

20 Mar

Uma constipação desagradável e persistente, as imagens de uma noite de sábado louca no restaurante (parece que largaram um bomba nesta cozinha), uma manhã de domingo prosaica e seca. A página do caderno vazia. E no entanto, as folhas da palmeira refletem-se na parede e a parede mexe com o vento, e a minha mente mexe com o vento e a parede, um outro universo habita esta parede, seres esguios caminhantes das estrelas, que se animam e dançam para um destino mágico.

Does Ev Bogue has a cell phone?

16 Mar

Um casal passa com a criança pela mão. Aliás, a mulher leva os sacos e a criança pela mão. Ele leva as chaves do carro numa mão e o telemóvel na outra. É ela que conduz. Será que o Ev Bogue tem telemóvel? Por momentos perco-me na observação do casal e o carro parte conduzido pela mulher. Tenho muito trabalho de computador para fazer hoje. Não sei o que é melhor – lidar com controladores compulsivos ou relaxados crónicos. O que é o equilíbrio? Falamos sempre de equilíbrio e que o importante é encontrar o equilíbrio. Corpo-mente, casa-profissão. E se se isso não existisse? Onde está o equilíbrio? Como se pode quantificar, medir, contar? E se o equilíbrio é exatamente o que estamos a viver, mesmo que pareça muito “desequilibrado”, aos nossos olhos e aos olhos dos outros? O equilíbrio não será mais uma daquelas coisas utópicas com que gostamos ciclicamente de nos flagelar, como a busca da perfeição?

Julia Cameron fala das páginas matinais por vezes de uma forma “new age” (pronto, já sabemos que Artist Way é um livro datado), e usa-as por vezes como uma espécie de oráculo, ou dito de uma forma que nos agrada mais, usa-as para ir mais profundamente em nós mesmos. Páginas minhas, páginas minhas, és o barco, és o rio, és o barqueiro passador de almas? Onde está esse país de intermeio, o entre das coisas, a passagem por onde tudo pode fluir ou fugir? Ponto de equilíbrio ou de total desequilíbrio? És corda ou és poço? Percorro-te a pulso, a caminho da esperança ou afundo-me cada vez mais nas tuas águas?

Não uso as páginas como oráculo, mas recentemente voltei a interessar-me pelo I Ching, online. Coloco a minha questão em Free I Ching Reading e além da interpretação do site leio os posts relacionados com o hexagrama de The Quoteable I Ching. E depois gravo o que achar interessante no Penzu. Parece complicado, mas a ideia era começar a usar o I Ching como comtemplação – “tirar” um hexagrama para o dia e usá-lo como meditação diária. Posteriormente veria se faz sentido.

Tenho andado também a brincar com a ideia de libertação, de dar espaço para o novo, tal como sugere Ev Bogue. O nosso eu “upgraded” só pode surgir depois de se fazer espaço, apagando os ficheiros mortos. “Apagar os ficheiros” aconteceu-me naturalmente, ao comprar o netbook não fiz o que é costume, e não passei os ficheiros do antigo computador. Eventualmente há outros ficheiros para apagar… espero lá chegar. Esta ideia leva-me também ao conceito de renascimento – uma forma bastante drástica de  apagar ficheiros :) – e nem consigo explicar o quanto a ideia de regressões me parece estranha. Cada vez mais tenho a percepção de novas possibilidades. Este eu renovado (upgraded) parece vir também para muitos mais minimalista. A euforia consumista (o mais) está a dar lugar à simplicidade (o menos). E mais uma vez, haverá um equilíbrio?

Imagem: Alcácer do Sal, arquiteto Aires Mateus, foto Fernando Guerra.

Face a face

14 Mar

The biggest data upgrade you can receive is sitting down, face to face, drinking tea. Ev Bogue